Palavra do Presidente

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Uma reflexão da presidência sobre a defesa coletiva, a responsabilidade e o compromisso com os servidores de Leme.


Ao me candidatar pela primeira vez à Presidência do Sindicato, lembro de cruzar o corredor e ouvir do então presidente: “É você quem vai!”. Encarei o desafio com o olhar voltado para a defesa dos direitos coletivos. Essa missão se tornou ainda mais concreta durante a greve de 2009, um marco que definiu meu legado na luta sindical.

Naquele momento, acreditava que minha jornada se resumiria a isso: representar e defender a coletividade. Em 2025, assumo meu terceiro mandato.

Há quatro anos, eu havia decidido encerrar minha trajetória no Sindicato. No entanto, mesmo em contradição comigo mesma, retornei por um consenso do grupo. Desde então, coloco essa missão em minhas orações, pedindo discernimento e sabedoria para conduzi-la com responsabilidade.

Ao assumir, de fato, a Presidência, tive a certeza de estar no lugar certo. A vontade de ajudar, de melhorar a vida das pessoas e de lutar por condições de trabalho dignas para os servidores continua sendo o que me move.

Nos últimos anos — oito deles à frente da Presidência — compreendi que a luta sindical vai muito além da defesa coletiva: ela é complexa, desafiadora e exige equilíbrio entre o coletivo e o individual.
Vivemos uma realidade onde é comum ver situações sendo expostas nas redes sociais com julgamentos individuais. No entanto, o verdadeiro desafio é olhar para cada situação com o olhar coletivo, ponderar todos os aspectos e tomar decisões que contemplem o bem comum. Essa é a missão do Sindicato: representar um grupo de servidores, e não apenas um indivíduo ou uma situação isolada.
Como dirigentes sindicais, nosso olhar deve se voltar para o macro. Precisamos enxergar o todo, principalmente aqueles em situação de vulnerabilidade, que muitas vezes não têm voz. E somos nós, da diretoria, esses porta-vozes.

Enfrentamos, muitas vezes, cobranças por soluções imediatistas. Mas é justamente nesses momentos que temos o dever de seguir protocolos e respeitar etapas, buscando sempre a melhor resolução para cada questão.

Posso afirmar com convicção: o Sindicato cumpre seu papel de levar informação aos servidores e à sociedade. Isso se reflete, por exemplo, nas propostas apresentadas durante a última eleição do Executivo e do Legislativo, em que diversas pautas diziam respeito diretamente ao servidor público. Nosso compromisso com a educação sindical também é fundamental: é por meio dela que conscientizamos nossos representados sobre seus direitos e deveres.

E agora, me dirijo especialmente aos diretores e conselheiros desta entidade: sei que o trabalho não é fácil. Representar uma sociedade cada vez mais individualista, lutando por interesses coletivos, nos coloca em evidência — e, naturalmente, sujeitos a críticas.

Muitas vezes, somos cobrados por questões que não são de nossa competência. Ainda assim, nos esforçamos para orientar, informar e encaminhar às instâncias responsáveis. Somos humanos, e é natural que nem sempre acertemos. Afinal, é impossível agradar a todos. Mas que nossas decisões sejam sempre pautadas na escuta, na realidade dos nossos representados e, principalmente, no que a lei nos assegura.

E, se houver conflito entre a lei e a moral, o que deveria prevalecer?
Quando conversamos com as pessoas e vemos de perto a situação em que se encontram, é muito mais fácil nos compadecermos e deixarmos de olhar apenas para o nosso próprio umbigo. Já quando estamos de fora, sem qualquer responsabilidade com a coletividade ou com uma entidade representativa, opinar se torna muito mais fácil.

Cada um de vocês foi escolhido pela qualidade que possui, pela capacidade de opinar com responsabilidade e trabalhar para melhorar a vida das pessoas — diretamente, na função que exercem, e indiretamente, em suas relações cotidianas.

Confio plenamente em cada um de vocês para alcançarmos esse propósito. Estou à disposição para conduzir essa missão ao lado de vocês.

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